22 de outubro de 2014

Brejaúva: brasileira, florestal e muito espinhosa.

Das 16 sementes que descobrí aqui no município resendense, só 3 espécies foram na mata. Quando encontramos no meio da floresta uma touceira bem alta, bastante fechada e esbanjando pra todos os lados milhares de espinhos ameaçadores, podemos ir logo tirando uma conclusão: ali tem alimento saboroso, nutritivo e cobiçado por muitas criaturas da mata!


Pés de brejaúva na mata e seus troncos espinhosos


Astrocaryum aculeatíssimum  é o nome desta palmeira nativa do Brasil, mais conhecida como brejaúva, brejaúba, côco-de-irí, airí e irí, produtora de deliciosos coquinhos de até 5cm. de comprimento e imortalizados na obra de Monteiro Lobato, "Sítio do Pica-pau Amarelo". O famoso escritor nasceu e cresceu na região do Vale do Paraíba, abundante dessa espécie de palmeira e provavelmente registrou nesta parte de sua obra, as lembranças de suas brincadeiras de infância.

                         côco de brejaúva partido ao meio

Seus espinhos (acúleos) recobrem troncos e folhas e chegam a medir 8cm de comprimento, tornando-se mais numerosos na região onde brotam as folhas e, nos meses de dezembro a fevereiro, onde brotam as flores. Essa grande quantidade de espinhos servem de proteção, para manter afastados diversos predadores, pois é nessa região da palmeira que está o seu palmito e onde as flores se transformarão nos deliciosos coquinhos. Algumas formigas se associam com a palmeira, construindo colônias entre os talos de folhas e do cacho de cocos. Ao menor sinal de predação elas caem por cima dos desavisados e "tome picada"!

                          tronco extremamente espinhoso de brejaúva


cacho de côco de brejaúva
Um amigo artesão foi quem me apresentou  esta palmeira, em uma incursão coletando material. Seus frutos tem a forma ovóide lembrando muita a forma de um pião, e assim foram  usados pela meninada do "Sítio-do pica-pau-amarelo", nas brincadeiras de pião de corda. Entre os meses de julho a dezembro esses coquinhos formam belíssimos cachos marrom acamurçado, que depois de maduros vão despencando aos poucos e caindo ao redor da palmeira. Mesmo no chão ainda são protegidos pelos espinhos das folhas que também caem e se misturam a eles, dificultando o acesso para alguns animais.

folha seca e caída de brejaúva
Embaixo da folha espinhosa...

côcos de brejaúva no solo da floresta
...os cocos secos.

côco de brejaúva  recém caído no solo da floresta
Coco recém caído e já sem sua casca, que algum bicho comeu.


Pé e cacho de côco de brejaúva


Os cocos servem de alimento e tem até água em seu interior, muito apreciados pelas crianças em "brincadeiras de comer", brincadeiras nutritivas e terapêuticas, pois suas saborosas amêndoas são bastante oleosas e com propriedades vermífugas. Se colhidas ainda verdes, essas amêndoas tem propriedades laxativas e contra a icterícia.
Ainda hoje, nas feiras de cidades paulistas como, Guaratinguetá, Cunha, Taubaté, Pindamonhangaba e outras, pode-se encontrar os cachos de côco-brejaúva á venda.

                     tronco de brejaúva
                            Pés de brejaúva na mata

A brejaúva é uma palmeira silvestre e brasileiríssima,  natural da mata atlântica sendo encontrada desde o sul  da Bahia até o estado de Santa Catarina, com exceção das regiões de mangue. Sua altura varia de seis a oito metros e com a destruição de seu habitat, as matas, encontra-se bastante ameaçada. Desde muito tempo é conhecida e utilizada pelos nativos e caboclos nas regiões onde ocorre, que usam suas folhas para tecerem chapéus e vassouras. De seu tronco confeccionam arcos, bengalas e cajados e também na confecção de ripas para telhado. Em marcenaria essa madeira muito dura e resistente também é utilizada para a escultura de objetos finos, bem como garfos, colheres e etc.
O gênero botânico astrocaryum abriga cerca de 40 espécies de palmeiras, distribuídas pela américa central e do sul, sendo que algumas dessas espécies encontram-se apenas no Brasil. A brejaúva é uma delas.

espinhos ou acúleos de brejaúva

As bonitas peças artesanais possíveis com seu endocarpo são ao mesmo tempo um chamariz e um alerta: Trata-se de espécie florestal e é grande a quantidade de criaturas que depende de seus coquinhos...
Penso ser justo atribuir um valor bem maior nas peças confeccionadas com espécies nativas nestas condições. Quando vou a essas coletas recolho uma pequena porcentagem do que encontro, geralmente não mais que 30 por cento e também jamais divulgarei o local do "achado".

Brinco de côco de brejaúva
Brinco Coco Brejaúva BR-052
                                                                                           
Modelo Íris Lemes com brinco de côco de brejaúva


Modelo Íris Lemes com brinco de côco de brejaúva



Pés de brejaúva na mata




DESCUBRA CURIOSIDADES SURPREENDENTES SOBRE A VIDA E A UTILIDADE DAS SEMENTES EMPREGADAS NO GeoAtelier
guapuruvú        saboneteira        flamboyant        rosário       tento 
timbaúva        mulungú        brejaúva        jerivá 
cabaça        chapéu-de-napoleão        acácia-rosa        mucuna-preta 
feijão-de-porco        cinamomo        olho-de-boi        araucária